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Economia goiana é atingida pela greve dos caminhoneiros

Confira mais informações no Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás nº 99, de julho de 2018

A greve dos caminhoneiros provocou forte queda dos indicadores econômicos relativos ao mês de maio/2018. Em Goiás e no Brasil, as quedas atingiram praticamente todos os setores de atividade, desde a agropecuária até o setor de serviços. E a dependência que o país possui do transporte rodoviário parece ser a maior explicação para esses resultados.

A grande maioria dos produtores de produtos agropecuários não conseguiu fazer com que sua produção chegasse aos postos de vendas e/ou às indústrias. Estas últimas tiveram dificuldades para dar continuidade ao processo produtivo por conta da falta de insumos, oriundos não apenas do setor agropecuário, como também de várias outras cadeias produtivas. Alguns produtos sequer chegaram às redes atacadistas e varejistas e as vendas do setor de comércio caíram. E o setor de serviços, que dá suporte a todas essas atividades, também teve perdas representativas.

A produção industrial caiu em 14 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE em maio/2018. Em Goiás, a queda ocorreu tanto na comparação com os dados do mês de abril/2018 (-10,9%) quanto em relação ao maio/2017 (-15,7%), puxada principalmente pela redução da produção de produtos alimentícios (açúcar VHP e cristal) e de biocombustíveis (álcool etílico). A queda de 15,7% da produção industrial goiana representa o pior resultado registrado na comparação com o mesmo mês do ano anterior de toda a série goiana, iniciada em 2003.

Nesta mesma linha, o setor de serviços goiano teve, em maio/2018, sua maior queda dos últimos 11 meses, registrando variação de -4,8% na comparação com maio/2017. Na comparação com abril/2018, o setor também apresentou redução do nível de atividade, com recuo de 5,6%. E uma das atividades de serviços que apresentaram maior redução em Goiás foi justamente a de Transportes, com queda de 10,2%, ficando à frente apenas dos Outros Serviços, cuja redução foi de 16,4%.

O comércio varejista do estado parece ter sofrido um pouco menos do que os outros setores por conta das vendas estimuladas pelas comemorações do dia das mães, que ocorrem em maio. Houve alta de 1,9% das vendas na comparação com maio/2017, mas o grande reflexo da greve dos caminhoneiros no setor se deu nas vendas de combustíveis e lubrificantes, que caíram 14,1%.

Ainda é possível, mas não vai ser simples para a economia goiana fechar o ano com bons resultados nos setores de comércio, indústria e serviços. Até maio/2018, as vendas do comércio varejista no estado acumulam queda de 3,1%, a produção industrial recua 3,6% e os serviços 0,4%. Enquanto isso, os últimos indicadores de desemprego do IBGE apontam que a taxa para o estado ainda está em 10,2%.

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – N. 99/julho de 2018.
Equipe Responsável: prof. Dr. Edson Roberto Vieira, prof. Dr. Antonio Marcos de Queiroz.

Fonte: FACE - UFG/Regional Goiânia

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